
“Apatria”, curso com Peter Pál Pelbart
Clarice Lispector precisou demolir o seu “eu” para atingir o que ela chamou de “matéria viva”. Inventou palavras como “remotidão” de si mesma e “esquivança” do mundo a fim de se alçar, como diz ela, à altura da vida. Como tantos apátridas, ela abriu um não-lugar na literatura brasileira.
A literatura, a filosofia, as artes estão repletas dessas invenções, feitas por pessoas singulares. Elas extraem força e esplendor de sua condição de exceção. São párias rebeldes. Têm a vantagem de pertencer a vários mundos e a mundo algum. Isso as dota de uma criatividade inusitada, capaz de produzir novos mundos, mesmo onde não há mundo para todo mundo, nem para eles. Assim, constroem territórios inauditos, no plano estético, político, subjetivo, convocando outros modos de existência.
Num experimento de escritura ainda incerto, demos o nome de _Apatria_ a essa conjunção entre o desterro e a intimidade, o exílio e a utopia, a despossessão e a subjetivação, o Fora e as linhas de fuga. Autorxs que escolhemos para essa aventura provêm de domínios os mais diversos: Hanna Arendt, Maurice Blanchot, Clarice Lispector, Franz Kafka, Deleuze-Guattari, Octavia Butler, Elias Sanbar, Achille Mbembe – e outrxs que virão ao longo do semestre. Ao constelar uma dimensão apátrida do pensamento, atinge-se a potência criadora dessa mesma apatria.
INFORMAÇÕES
Cronograma: às segundas-feiras – 31/08; 14, 21 e 28/09; 05, 12, 19 e 26/10; 09, 16, 23 e 30/11.
Horário: das 17h30 às 19h00.
Duração: 12 encontros.
Local: Atelier Paulista, de forma presencial e remota, com transmissão ao vivo, por meio da ferramenta Zoom.
Número de vagas: 130;
Local: presencial e on-line
O primeiro encontro será aberto e gratuito e poderá ser acompanhado através do link: https://youtube.com/live/TJW2hrO20fk?feature=share
Para mais informações e inscrições: atelierpaulista@gmail.com ou 11 97785-3897
