
Cosmopolíticas
Curso no Atelier Paulista com Rafael Matede
O termo “cosmopolítica”, introduzido por Isabelle Stengers, combina “cosmos” e “política”, indicando que a política deve ser construída com a presença de entidades diversas. Justamente, com as práticas e os saberes extra-modernos no centro do campo cultural brasileiro, reaparece uma dimensão excluída pela colonização: a agência dos espíritos, dos ancestrais, das divindades e das entidades afins nas lutas políticas. A presença ativa desses agentes no campo político das comunidades indígenas, quilombolas e de terreiro acionam novas subjetividades políticas e ações sociais concretas – como é o caso dos encantados à frente das lutas por demarcação de terras dos tupinambás.
Como diz o historiador indiano Dipesh Chakrabarty sobre a participação desses agentes na esfera política do campesinato indiano, eles não são fatos sociais: o social não os precede; eles são contemporâneos à sociedade humana e revelam a heterogeneidade do tempo histórico e das ontologias. A aliança entre humanos e agentes supranaturais é uma forma (cosmo) política sui generis que coexiste com a política moderna – Estado soberano, sujeito jurídico e a ideia de legitimidade fundada na razão humana.
Sendo assim, como essa coexistência, em geral conflituosa, pode expandir o horizonte de transformações materiais necessárias às lutas contra coloniais de emancipação dos povos? Ao longo de sete textos e sete encontros trataremos das relações necessárias à essa prática cosmopolítica: internamente, entre a comunidade e seus agentes supranaturais por meio dos sonhos, transes e oráculos; e, externamente, com a macropolítica através dos agentes do Estado, do direito e da academia.
Cronograma:
Aula 1. A proposição cosmopolítica
Aula 2. Aprender a ver no candomblé
Aula 3. Tempo e evento na onirocrítica ameríndia
Aula 4. Cosmopolítica em mundos andinos: entre advogados e Ausangate
Aula 5. Utupë: A imaginação conceitual de Davi Kopenawa
Aula 6. Leviatã: o Estado contra os espíritos
Aula 7. Os encantados e a luta pela demarcação de terras
Bibliografia sugerida
* Marisol de la Cadeña. Seres-Terra: cosmopolítica em mundos andinos. Bazar do Tempo. R•o de Janeiro. 2024.
* Isabelle Stengers. A proposição cosmopolítica. Disponível em https://revistas.usp.br/rieb/pt_BR/artic•e/view/145663/139603
* Davi Kopenawa e Bruce Albert. A queda do céu.•Companhia das letras.
* •homas Hobbes. Leviatã.
* Helen Catalina Ubinguer. Os tupinanbás da Serra do Padeiro. •issertação de mestrado.
* Karen Shiratori. Tempo e evento na onirocrítica ameríndia. Disponível em https://www.scielo.br/j/ra/a/KqM6fHrzVMMPjKC9•rMFZSJ/abstract/?lang=pt
* Miriam Rabelo. Aprender a ver no candomblé. Disponível em https://www.scielo.br/j/ha/a/grgQ9J6MPkQdRqLBK7•xJLQ/?format=html&lang=pt
* Marco Antônio Valentim. Utupë: A imaginação conceitual de Davi Kopenawa. Disponível em https://revistaviso.com.br/article/317
Informações:
Duração: 07 encontros às quartas.
Datas: 01, 08, 15, 22 e 29 de abril; 06 e 13 de maio.
Horário*: 18h00 às 19h00
Carga Horária: 14 horas.
Local: Atelier Paulista, de forma presencial e online – transmitida ao vivo por meio da plataforma Zoom. O link de acesso será enviado sempre no mesmo dia do encontro. Para o modo presencial, o endereço será enviado após a inscrição.
Número de vagas: 130 – Zoom e 15 – presencial.
Para mais informações e inscrições: atelierpaulista@gmail.com ou 11 97785-3897 (WhatsApp)
