Curso no Atelier Paulista com Rogério da Costa

Neste semestre vamos continuar assistindo e analisando filmes bem recentes do cinema brasileiro, a maior parte do período situado entre 2024 e 2025, tendo como ponto de partida a obra de Anna Muylaert, “A melhor Mãe do Mundo” (2025). Um aspecto relevante é que teremos filmes de todas as regiões do país. Há uma exceção estratégica: vamos rever “Iracema: Uma Transa Amazônica”, de 1974, dirigido por Jorge Bodanzky e Orlando Senna, para compor com alguns filmes recentes que nos levam ao coração da Floresta: “Último Azul”, “Manas”, “Cidade; Campo”, “Retrato de um Certo Oriente” e “Chuva e Cantoria na Aldeia dos Mortos”. As leituras continuam inspiradas nas reflexões do filósofo Gilles Deleuze, num prolongamento do que ele mesmo nomeou como o cinema político, entendido como arte de invenção de um povo, um cinema de minorias. Deleuze ressalta a crise dos países da era pós-colonização, onde nações oprimidas, exploradas, permanecem em estado de perpétuas minorias, em crise de identidade coletiva: “Enquanto o colonizador proclamava: ‘nunca houve um povo aqui’, o povo que falta se inventa, nas favelas e nos campos, ou nos guetos, com novas condições de luta”. Diferentemente das análises fílmicas e culturalistas, nossa abordagem não pressupõe um espectador que se identifica ou se vê representado nos filmes. O olhar sobre o cinema político que exercitamos aqui segue um caminho distinto da tese realista, que atribui à presença da pobreza, exclusão e discriminação nas obras cinematográficas uma espécie de denúncia de problemas políticos, sociais e econômicos. Ao invés disso, a leitura de abordagem filosófica entende que um filme não representa um povo, minoria ou coletivo, mas busca convocar uma minoria em nós e, assim, inventar meios de restaurar nosso vínculo com o mundo. Com uma grande presença de atores não profissionais ou de atores locais, o cinema do chamado Sul Global carrega a força de afetos enraizados em suas próprias realidades. Isso permite que, com a expressão de seu próprio corpo, os atos de fala dos atores sejam não apenas de comunicação ou informação, mas de criação de mundo e fabulação.
Serão 12 encontros para discutirmos sobre filmes de diretoras e diretores brasileiros. Aqui abaixo a lista inicial de filmes selecionados. A cada semana indicaremos um filme para análise. Caso ele não esteja disponível no momento, poderemos ou disponibilizá-lo de outra forma ou escolher outro filme.
- Iracema: Uma Transa Amazônica – Jorge Bodanzky e Orlando Senna – 1974 (Amazônia – Manaus)
- Branco Sai, Preto Fica – Adirley Queiroz – 2014 (Brasília – Ceilândia)
- Último Azul – Gabriel Mascaro – 2025 (Amazonas – Manaus, Manacapuru e Novo Airão)
- Agente Secreto – Kleber Mendonça Filho – 2025 (Pernambuco – Recife)
- Manas – Marianna Brennand – 2025 (Pará – Ilha de Marajó)
- Kasa Branca – Luciano Vidigal – 2025 (Rio De Janeiro – Baixada Fluminense)
- Oeste Outra Vez – Erico Rassi – 2025 (Goiás – Chapada dos Veadeiros)
- Motel Destino – Karim Ainouz – 2024 (Ceará – Beberibe)
- Cidade; Campo – Juliana Rojas – 2024 (Mato Grosso do Sul – Ponta Porã/São Paulo)
- Levante – Lillah Halla – 2024 (São Paulo – Capital)
- Saudade Fez Morada Aqui Dentro – Haroldo Borges – 2024 (Bahia – Sertão da Bahia)
- Retrato De Um Certo Oriente – Marcelo Gomes – 2025 (Amazônia – Manaus)
- Vitória – Andrucha Waddington – 2025 (Rio de Janeiro – Copacabana)
- Três Verões – Sandra Kogut – 2020 (Rio de Janeiro – Angra dos Reis)
- A Melhor Mãe do Mundo – Ana Muylaerte – 2025 (São Paulo – Centro/Zona Leste)
- A Primeira Morte de Joana – Cristiane Oliveira – 2021 (Rio Grande do Sul – Osório)
- Vazante – Daniela Thomas – 2017 (Minas Gerais- Serro)
- Todos Os Mortos – Caetano Gotardo e Marcos Dutra – 2020 (São Paulo – Capital)
- Os 7 Prisioneiros – Alexandre Moratto – 2021 (São Paulo – Capital)
- Chuva e Cantoria na Aldeia dos Mortos – João Salaviza e Renée Nader Messora – 2018 (Tocantins – Pedra Branca)
Informações:
Duração: 14 encontros;
Datas: 11, 18 e 25 de março; 01, 08, 15, 22 e 29 de abril; 06, 13, 20 e 27 de maio; 03 e 10 de junho.
Horário: das 20h00 às 22h00 (horário de Brasília) + 30min aberto para debates
Carga Horária: 28 horas.
Para mais informações e inscrições: atelierpaulista@gmail.com ou 11 97785-3897 (WhatsApp)
