DESDOBRAMENTOS GRÁFICOS DE UM SUJEITO PARAXONAL: STENDHAL | curso com Ignez Mena Barreto

maria ignez mena barreto

 

DESDOBRAMENTOS GRÁFICOS DE UM SUJEITO PARADOXAL: STENDHAL

curso com IGNEZ MENA BARRETO

 

Durante quase dois séculos, Stendhal foi um escritor confidencial. Dandy parisiense, freqüentador dos salões da moda no início do século XIX, escritor de ensaios, romances e jornalista de cento e setenta pseudônimos, Stendhal era capaz de criar debates acalorados na imprensa da época entre facções opostas que se digladiavam contrapondo obras que eram ambas escritas pelo mesmo. Adepto de disfarces e do teatro na vida real, dele dizia seu amigo íntimo Prosper Mérimé, “ninguém nunca soube exatamente que pessoas frequentava, que livros havia escrito, que viagens havia feito”… E o mistério perdurou mais de um século depois de sua morte, e perdura, de certa forma, até os dias de hoje.

O manuscrito da Vie de Henry Brulard, autobiografia cujo título traz a marca desse gosto pelo jogo de máscaras, não é dos ingredientes menos saborosos desse grande enigma que são o personagem e a obra de Stendhal. Ao longo de sessões diárias dedicadas à escrita, lembranças vão aflorando em texto, e logo em desenhos. Esquemas, plantas baixas rudimentares, croquis interrompem regularmente o curso da escrita, registrando em outro médium o afluxo das lembranças: o espaço, a posição dos personagens, o conflito ou a situação em que estavam envolvidos são indicados por meio de um sistema gráfico de uma simplicidade e de uma engenhosidade surpreendentes. Impossível de eliminar esses desenhos sem mutilar o texto, eles são parte integrante, e às vezes os pontos de maior intensidade da obra. A presença desses desenhos (em torno de 197) constitui apenas a face mais imediatamente visível da grande incógnita que é esse manuscrito. A Vie de Henry Brulard é uma daquelas obras que quanto mais se lê, e quanto mais se pensa sobre o que se lê, mais espesso fica seu mistério. A ideia desse curso é explorar a riqueza gráfica desse manuscrito, analisar a relação sui generis que ali se estabelece entre texto e imagem e, recolhendo ao longo das páginas os rastros de uma subjetividade que por ali passou, compartilhar com o grupo a experiência de leitura singular que propõe essa joia da literatura universal.


Datas:
 27 de setembro a 25 de outubro de 2017
Período: Quartas, das 20h – 22h
Duração: 5 encontros
Local: Rua Amália de Noronha, 301
(5 min. do metrô Sumaré)

 

Vagas limitadas! Inscreva-se:
atelierpaulista@gmail.com

 

MARIA IGNEZ MENA BARRETO
É especialista em Língua e Literatura Francesa, formada em linguística pela Universidade de São Paulo, doutora em Literatura francesa pela Universidade de Paris, pós-doutora em Literatura francesa pela USP, autora de vários estudos nas áreas de literatura e de arquitetura publicados em revistas francesas e brasileiras. Morou 27 anos na França onde foi membro do ITEM/CNRS (Institute des Textes et des Manuscrits Modernes do Centre National de Recherche Scientifique) e da equipe “Manuscrits de Stendhal” da Université Stendhal (Grenoble 3), professora de língua e literatura francesa, conferencista, tendo participado e organizado congressos, colóquios e seminários em várias instituições entre as quais a Université de Paris/Sorbonne, a Université Stendhal (Grenoble 3) e a ENS/Ulm (École Normale Supérieure de la rue d’Ulm).